PATA AMADA

Resgate em zonas de conflito

Cuidado que chega onde quase ninguém vai.

Resgatamos cães e gatos feridos em regiões de guerra, levamos até cirurgia e os colocamos em lares seguros.

Resgatista envolve um cão resgatado em um cobertor em meio a uma rua destruída pela guerra

Quem somos

Brasileiros — civis e militares — e voluntários de outras nacionalidades, caminhando juntos.

A Pata Amada é um grupo de civis e militares brasileiros que, junto com amigos de outras nacionalidades, se organiza para resgatar e cuidar de pets em regiões de conflito. Ninguém aqui trabalha sozinho: somos uma rede de gente comum — e alguns de uniforme — que não aceita ver um pet sofrer.

No Brasil, ONGs parceiras e criadores nos ajudam como podem — com cuidado, acolhimento e divulgação das adoções — e também participam conosco de atividades de apoio aqui no Brasil. A Pata Amada é um grupo que caminha em parceria com outros grupos: cada pata desta rede é sustentada por várias mãos.

É assim que um pet resgatado lá fora chega ao cuidado de gente de verdade — não é uma empresa, é uma corrente de voluntários, do resgate até o novo lar.

1 · No campo

Nossa equipe entra onde a guerra atingiu: busca o pet ferido, dá os primeiros socorros e leva direto para o veterinário.

2 · Na clínica

Cirurgia, tratamento e recuperação com veterinários parceiros — até o pet estar forte de novo.

3 · No novo começo

Com a rede de ONGs e criadores parceiros, o pet ganha lar temporário, adoção ou fica ao lado de quem luta — cada um no lugar onde é mais amado.

Transparência com responsabilidade

Proteger quem resgata também faz parte do resgate.

Por segurança, preservamos sobrenomes, localizações, rotas, datas e outros detalhes que poderiam colocar voluntários, veterinários, militares, civis e animais em risco. Em uma guerra, informações aparentemente simples podem ser usadas para fazer o mal.

Algumas histórias e cenas que não puderam ser registradas no momento foram recriadas com o apoio de inteligência artificial, a partir dos relatos de quem participou dos resgates. Fazemos isso sem revelar informações protegidas por razões de segurança nacional.

Já tentaram derrubar o nosso projeto várias vezes. Continuamos aqui porque, todas as vezes, o amor pelos animais venceu.

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Resgatados

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Cirurgias

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Adoções

Histórias de resgate

Cada nome aqui é um resgate real, com data, custo e um final. Abra para ler por inteiro.

Drone entrega um pacote de ração para um cão esperando entre escombros ao entardecer, com gatos aguardando numa porta ao fundo
CãoKupiansk · 2025

Davi, o brasileiro que alimentou uma cidade pelo ar

Quando a única estrada até o bairro foi cortada, um voluntário de Caruaru passou três meses jogando comida de drone para os animais que ficaram para trás.

Davi chegou ao país como voluntário de logística — no Brasil, trabalhava com entrega rápida por aplicativo e conhecia rota e prazo como poucos. Quando a estrada que dava acesso ao bairro de Kupiansk foi cortada, dezenas de cães e gatos ficaram presos do outro lado: casas evacuadas às pressas, portões fechados, ninguém podia entrar.

A solução nasceu do ofício dele. Com um drone de carga adaptado, Davi passou a fazer entregas de ração e água em pontos combinados por mensagem com moradores que ainda tinham sinal. Cada voo levava oito quilos — sacos pequenos porções para os gatos, rações maiores para os cães. A cada dois dias, sem falta, o zumbido do motor atravessava o silêncio.

Foi assim que nasceu a rotina do Orelha, um cão amarelo que esperava sempre no mesmo terreiro, no fim da tarde. Davi não podia descer, então deixava o drone pairar um pouco mais baixo — só para o Orelha ouvir as hélices e saber que tinha vindo. Três meses assim: comida no chão, carinho de longe.

Quando o acesso foi reaberto, a equipe entrou e encontrou quase todos os animais vivos, magros mas de pé, reunidos nos pontos de entrega como se fossem pontos de ônibus. O Orelha hoje mora com Davi, que decidiu ficar no país e agora cuida do transporte de suprimentos da Pata Amada. Diz que nunca entregou nada com tanto significado.

Gata tabby com a pata enfaixada descansa no colo de uma voluntária
GatoKharkiv · 2024

Luna, resgatada de um porão

Quatro dias sozinha no porão de um prédio atingido. Quando a equipe chegou, Luna não conseguia apoiar a pata direita.

O chamado veio de um vizinho que ouvia miados vindos de baixo dos escombros. A equipe levou seis horas para abrir um acesso seguro — o prédio tinha sido atingido dois dias antes e parte da laje ainda ameaçava ceder.

Luna estava encolhida atrás de uma caldeira, desidratada, com fratura exposta na pata dianteira direita. Foi transportada em uma caixa forrada com cobertores térmicos até a clínica parceira, a 40 km dali.

A cirurgia durou duas horas e exigiu dois pinos. Nas primeiras semanas ela não deixava ninguém tocá-la; a fisioterapia começou com a veterinária apenas sentada perto, em silêncio, todos os dias.

Hoje Luna vive com a Marta e a filha dela, numa casa com janela larga para o sol da tarde. Corre atrás de tampinhas de garrafa pelo corredor — e a pata direita já não falha.

Cão de resgate com curativo na orelha sentado em uma van, com olhar esperançoso
CãoMykolaiv · 2024

Boris, o pastor ferido

Ficou três dias guardando a porta de uma casa vazia. Ninguém conseguia se aproximar até que ele aceitou comida da mão de um voluntário.

Boris era o cão de guarda de uma família que precisou sair às pressas. Quando a equipe o encontrou, ele ainda montava guarda na entrada, com um corte profundo na orelha e as costelas à mostra.

Foram três tentativas em dias diferentes. Na terceira, o voluntário Andriy sentou-se no chão a dez metros de distância e ficou ali por duas horas, sem olhar diretamente para ele. Boris se aproximou sozinho.

No abrigo, precisou de antibióticos por três semanas e de uma pequena cirurgia reconstrutiva na orelha. Ganhou peso devagar, sob dieta controlada, e reaprendeu a dormir sem sobressaltos.

A família original foi localizada em outro país, mas não tinha condições de recebê-lo. Um casal que acompanhava o caso pela internet o esperava na fronteira no dia da alta. Boris atravessou o portão correndo.

Filhote com a pata enfaixada no colo de uma voluntária em uma rua destruída
CãoIzium · 2025

Mika, encontrada na estrada

Tinha menos de três meses e estava sozinha na beira de uma estrada de terra, arrastando a pata traseira.

A equipe voltava de outra ocorrência quando viu um vulto pequeno se mexendo no acostamento. Mika estava coberta de poeira, com uma lesão na pata traseira provavelmente causada por um veículo.

Ela não chorava, o que costuma ser mau sinal em filhotes: sinal de exaustão avançada. Recebeu soro ainda dentro da van, no colo da voluntária Olena, enquanto seguiam para o abrigo.

O tratamento foi simples — imobilização, alimentação reforçada e vermífugo — mas a recuperação social levou tempo. Mika tinha medo de portas fechadas e de qualquer barulho seco.

Quatro meses depois, foi adotada por uma professora da região. Dorme sob a mesa da cozinha e acorda toda vez que a porta se abre, mas agora é para receber quem chega.

Cão idoso de focinho grisalho deitado em um cobertor recebendo exame veterinário
CãoKherson · 2025

Oleg, catorze anos de espera

Cães idosos são os últimos a sair e os últimos a serem adotados. Oleg esperou oito meses no abrigo.

Oleg foi retirado de uma casa depois que sua tutora, de 81 anos, foi evacuada por motivos de saúde. Ela pediu apenas uma coisa à equipe: que ele não morresse sozinho.

Chegou com artrose avançada, catarata nos dois olhos e um sopro cardíaco. O custo mensal de mantê-lo — medicação contínua, ração terapêutica, exames de acompanhamento — é o dobro do de um cão jovem.

É exatamente esse tipo de caso que doações mensais sustentam. Não há um momento de resgate dramático aqui, apenas oito meses de cuidado diário, consultas e cobertores trocados.

Em janeiro, uma família adotou Oleg para viver seus últimos anos com quintal e sol. A tutora original recebeu as fotos por mensagem. Respondeu com uma única frase: 'agora posso descansar'.

Três gatinhos em uma caixa de papelão recebendo leite de mamadeira
GatoBakhmut · 2024

Os trigêmeos da caixa de papelão

Três gatinhos com menos de duas semanas, encontrados dentro de uma caixa deixada na entrada do abrigo.

Alguém os deixou de madrugada, sem bilhete. Estavam de olhos ainda fechados, o que significa que precisavam de mamadeira a cada três horas, incluindo de madrugada, por pelo menos um mês.

Dois voluntários se revezaram em turnos de seis horas. O menor dos três, apelidado de Kroshka, perdeu peso na primeira semana e precisou de sonda. Chegou a ser dado como perdido duas vezes.

Os três sobreviveram. Foram desmamados juntos, vacinados juntos e brigaram por espaço na mesma cama térmica durante três meses seguidos.

Foram adotados em dupla e individual: dois irmãos ficaram juntos com uma jornalista local, e Kroshka — o menor — hoje é o maior dos três, vivendo com um casal de veterinários que acompanhou o caso desde o começo.

Border collie preto e branco correndo por um campo verde em direção a uma mulher
CãoDnipro · 2025

Zoia e o reencontro no campo

Separada da tutora durante uma evacuação, Zoia passou sete meses no abrigo até que um microchip mudou tudo.

Zoia foi recolhida a 60 km de casa, magra e assustada, sem coleira. O microchip estava lá, mas o cadastro apontava para um telefone que não existia mais.

A equipe publicou a foto dela em grupos de famílias deslocadas por seis meses, sem resposta. Enquanto isso, ela se recuperou fisicamente e virou a cão mais ansiosa do abrigo: rodava o pátio inteiro sempre que um carro parava.

No sétimo mês, uma prima da tutora reconheceu a mancha branca do peito em uma publicação. A tutora tinha se mudado duas vezes e trocado de número duas vezes.

O reencontro aconteceu num campo aberto nos arredores de Dnipro, escolhido porque Zoia não lidava bem com espaços fechados. Ela reconheceu a voz antes de reconhecer o rosto — e não parou de correr até chegar.

Gatinho laranja enrolado em um suéter de tricô doado, dentro de uma caixa de madeira no abrigo
GatoKramatorsk · 2025

Tosha e o suéter de tricô

Chegou tremendo no inverno mais frio da década. Foi salvo pelo cuidado da equipe — e por um suéter de tricô feito por uma doadora.

Tosha foi encontrado dentro de um cano de esgoto numa madrugada de -18°C. Pesava 400 gramas e a temperatura corporal estava tão baixa que o termômetro da clínica não registrou leitura.

O aquecimento foi feito em etapas: bolsas térmicas, cobertor elétrico e, por fim, um suéter de tricô que chegou numa caixa de doações enviada por uma rede de artesãs. Era o tamanho exato dele.

A cada inverno, o abrigo recebe centenas de peças de tricô e crochê feitas à mão por doadores de vários países. Filhotes e animais recém-operados perdem calor rápido — uma roupinha não é luxo, é tratamento.

Tosha hoje vive com uma das voluntárias do turno da madrugada, a mesma que o enrolou no suéter pela primeira vez. A peça ficou guardada, para o dia em que ele tiver um irmão de adoção.

Gata preta idosa e cega sendo alimentada com seringa pelas mãos de uma voluntária
GatoSloviansk · 2025

Nina, a matriarca cega

Quinze anos, cega e desnutrida. Nina precisou de seis meses de alimentação assistida até conseguir comer sozinha de novo.

Nina viveu a vida inteira na mesma casa, com a mesma família. Quando o bairro foi evacuado, ela se escondeu e foi deixada para trás. Passou um mês inteiro sozinha antes de ser encontrada.

Chegou cega por catarata avançada, com desnutrição severa e desinteresse total por comida — o sinal mais difícil de reverter em gatos idosos. A alimentação por seringa era feita de quatro em quatro horas.

O protocolo incluía ração terapêutica específica, das mais caras do catálogo, comprada com doações pontuais de um grupo de apoiadores que 'adotou' o caso dela à distância.

Seis meses depois, Nina voltou a comer sozinha e a miar na porta da cozinha do abrigo toda manhã. Ela não será realocada: vai viver o resto da vida ali, onde é a gata mais velha e a mais paparicada.

Cão jovem com a pata enfaixada viajando no colo de uma voluntária dentro da van de transporte
CãoRota Kharkiv–Dnipro · 2025

Rambo e os 300 quilômetros

A cirurgia que salvou a pata dele não existia na região. Rambo viajou 300 km de van até a única clínica com ortopedista disponível.

Rambo quebrou a pata dianteira em dois pontos ao ser atingido por um carro perto de um posto de controle. A fratura era complexa demais para os veterinários locais.

A única clínica parceira com ortopedista veterinário disponível ficava a 300 km, em Dnipro. O transporte foi feito na van da Pata Amada, com Rambo deitado no colo da voluntária Kateryna o caminho inteiro.

Cada viagem dessas custa combustível, pedágio, alimentação da equipe e, muitas vezes, pernoite. Em meses de frente de combate ativa, a van chega a fazer esse trajeto três vezes por semana.

A cirurgia foi um sucesso. Rambo recuperou 100% do movimento e hoje vive em Dnipro — a cidade que salvou a pata dele acabou virando a casa dele.

Cachorrinha caramelo de bandana verde sentada na plataforma de uma estação de trem ao lado de uma mala antiga
CãoEstação de Pokrovsk · 2026

Pitica, a passageira da plataforma 2

A dona embarcou às pressas numa evacuação e Pitica ficou. Por nove dias ela esperou no mesmo ponto da plataforma — até a nossa equipe chegar.

Quando a estação de Pokrovsk entrou em rota de evacuação, milhares de pessoas partiram em trens lotados. Nem todos os animais conseguiram embarcar. Pitica, uma cachorrinha caramelo de oito quilos, ficou para trás no tumulto.

Funcionários da estação a viram por nove dias no mesmo lugar: sentada junto a uma mala esquecida, esperando. Eles dividiam a própria comida com ela até conseguirem contato com a Pata Amada.

A equipe levou seis horas de estrada, desviando de trechos interditados, para chegar. Pitica estava assustada, mas sem ferimentos — só muita saudade.

Hoje Pitica vive com uma família em Lviv e ganhou uma bandana verde que virou sua marca registrada. A mala da plataforma viajou junto: é onde ela guarda os brinquedos.

Gato cinza de pelo longo e um olho opaco enrolado num cobertor xadrez no colo de uma senhora
GatoIzium · 2026

Fumaça, o velhinho que voltou pra Dona Olha

Separado da dona de 82 anos durante um bombardeio, Fumaça passou um inverno inteiro desaparecido. O reencontro aconteceu por causa de uma foto no mural do abrigo.

Fumaça é um gato cinza de pelo longo, 11 anos, cego do olho esquerdo. Quando o prédio de Dona Olha foi atingido, ele se assustou com a fumaça — ironia do nome — e desapareceu pelos escombros.

Dona Olha foi realocada para um abrigo de deslocados e nunca parou de procurar. Todo voluntário que entrava na cidade ouvia a mesma pergunta: 'Vocês viram um gato cinza, velhinho, de um olho só?'

Meses depois, um gato com essa descrição apareceu num posto de alimentação comunitária mantido pela Pata Amada. A foto dele foi para o mural de animais encontrados — e chegou até o abrigo onde Olha vivia.

O reencontro foi em janeiro de 2026. Fumaça reconheceu a voz dela antes de qualquer coisa. Hoje os dois dividem uma caminha aquecida e um cobertor xadrez no novo apartamento dela.

Cão jovem de suéter vermelho correndo feliz por um campo nevado ao nascer do sol
CãoKupiansk · 2026

Vento, o cão que aprendeu a correr de novo

Encontrado preso num celeiro no auge do inverno, Vento mal conseguia ficar de pé. Hoje ele corre na neve com o suéter vermelho que virou símbolo do abrigo.

Vento foi encontrado num celeiro abandonado nos arredores de Kupiansk, em fevereiro de 2026, com a temperatura chegando a -18°C. Estava desnutrido, com hipotermia leve e as patas traseiras fracas demais para correr.

O nome veio no primeiro dia: mesmo debilitado, ele tentava alcançar qualquer porta aberta, como se quisesse correr atrás do vento.

Três meses de fisioterapia, ração reforçada e muito suéter de tricô depois, as patas responderam. O suéter vermelho foi tricotado por uma voluntária de 74 anos que manda roupinhas para o abrigo todo inverno.

O vídeo da primeira corrida dele na neve — desengonçado, feliz, de suéter vermelho — é o que a equipe mostra quando alguém pergunta por que vale a pena. Vento já está na lista de adoção, mas ninguém tem pressa.

Cadela idosa de focinho grisalho descansando a cabeça no colo de uma voluntária sentada sobre escombros
CãoKherson · 2024

Kira, 14 anos de lealdade

A família dela partiu sem conseguir levá-la. Kira, já idosa, ficou guardando o portão de uma casa que não existia mais.

Kira viveu 14 anos no mesmo quintal. Quando o bairro foi evacuado, a família idosa que a criava foi retirada às pressas e não havia espaço no ônibus para uma cadela de 30 quilos.

Os vizinhos a viram por semanas deitada junto ao portão torto, esperando. Ela só saía dali para beber água da chuva e voltava para o mesmo lugar.

Uma vizinha anotou o telefone da Pata Amada num muro. A equipe encontrou Kira desidratada, com artrite avançada, mas ainda vigiando o portão.

A família foi localizada meses depois, num abrigo em outra cidade. Kira hoje passa os dias no colo da mesma senhora de sempre — só que num sofá novo.

Dois gatinhos laranjas irmãos enrolados juntos num cachecol dentro de uma caixa de papelão
GatoZaporíjia · 2025

Tico e Teco, a dupla da caixa de sapatos

Encontrados dentro de uma caixa de sapatos deixada na porta de um mercado destruído. Um não soltava o outro nem para comer.

Alguém deixou uma caixa de sapatos na porta do que restava de um mercado. Dentro, sobre um cachecol, dois gatinhos laranjas de poucas semanas, abraçados um no outro.

No abrigo, ficou claro que eram inseparáveis: se um saía da caixa, o outro chorava até ele voltar. Comiam na mesma tigela, dormiam embolados como um gato só.

A regra da casa passou a ser simples: adoção apenas em dupla. Ninguém teve coragem de separar o que a guerra não separou.

Tico e Teco foram adotados juntos por um professor de música. Hoje dormem em cima do piano — a caixa de sapatos aposentada, guardada de lembrança.

Gato malhado de orelha dobrada sentado ereto sobre um saco de areia na entrada de um abrigo, ao entardecer
GatoBakhmut · 2025

Bublik, o vigia de uma orelha só

Perdeu parte da orelha no frio, mas não perdeu o posto: Bublik se nomeou guarda oficial do abrigo e avisa quando chega gente — ou perigo.

Bublik apareceu no abrigo de campo numa noite de geada, com a ponta da orelha necrosada pelo frio. A veterinária removeu a parte afetada e ele ficou — por decisão própria.

Ninguém o adotou porque ele claramente já tinha um emprego: sentar no saco de areia da entrada e inspecionar cada pessoa, cada caixa, cada van.

Os voluntários juram que o miado dele muda conforme quem chega. Quando é gente conhecida, é curto. Quando é estranho, é longo e sério.

Bublik continua no posto. Ganhou casinha própria ao lado da entrada e uma placa feita à mão: 'Segurança-chefe'.

Filhote minúsculo dormindo enrolado dentro de um capacete forrado com cobertor de lã
CãoAvdiivka · 2024

Soneca, o bebê do capacete

O filhote mais novo já resgatado pela equipe. Pequeno demais para a caixa de transporte, viajou dentro de um capacete forrado de lã.

Soneca foi achado num porão, o único sobrevivente da ninhada. Cabia na palma de duas mãos e tremia tanto que nenhuma caixa de transporte parecia segura.

Um voluntário forrou o próprio capacete com um cobertor de lã e improvisou a primeira 'incubadora' dele. Soneca dormiu as três horas de estrada inteiras — daí o nome.

Nas primeiras semanas ele mamava de seringa a cada duas horas, dia e noite. A equipe se revezava em turnos como numa UTI neonatal.

Hoje Soneca pesa 12 quilos e não cabe nem em dois capacetes. Foi adotado pelo mesmo voluntário que o carregou na primeira viagem.

Cadela branca de manchas pretas olhando para trás enquanto lidera voluntários numa estrada de terra enevoada
CãoLyman · 2025

Mancha, a guia que sabia o caminho

Ela apareceu na frente da van e não saiu do meio da estrada até a equipe segui-la. No fim do caminho, cinco filhotes esperavam num celeiro.

A van seguia devagar pela estrada enevoada quando Mancha surgiu na frente e parou, olhando fixo. Toda vez que o motorista tentava seguir, ela andava alguns metros e olhava para trás.

A equipe decidiu confiar. Mancha guiou a van por dois quilômetros de estrada de terra até um celeiro abandonado — onde cinco filhotes dela se escondiam num buraco de feno.

Ela esperou, sentada na chuva, enquanto cada filhote era recolhido. Só entrou na van depois que o último estava seguro.

Mancha e os cinco filhotes foram todos adotados — dois deles pela mesma família, para nunca se separarem.

Gato malhado sentado sobre um piano antigo numa sala abandonada com papel de parede descascando e luz entrando pela janela
GatoBucha · 2024

Pintas, o guardião do piano

Numa casa vazia e sem telhado, Pintas continuava morando na sala — sentado no piano onde a dona tocava todas as tardes.

A equipe entrava em casas abandonadas para verificar animais deixados para trás. Numa delas, entre paredes descascadas, havia um piano — e em cima dele, um gato malhado, inteiro e tranquilo.

Pintas não quis sair no primeiro dia. Nem no segundo. Na terceira visita, o voluntário tocou uma nota no piano empoeirado, e ele finalmente desceu, ronronando.

Descobriram depois, pelos vizinhos, que a dona da casa era professora de piano e tocava toda tarde. Pintas assistia sempre do mesmo lugar.

Pintas vive hoje com uma família que tem um teclado. Quando alguém toca, ele sobe no colo — como se a música fosse a língua que ele entende.

Gata branca com um olho azul e um olho âmbar sentada num parapeito coberto de neve olhando a janela
GatoPokrovsk · 2026

Neve, a gata de dois invernos

Branca como a estação em que foi achada, com um olho de cada cor. Neve sobreviveu a dois invernos nas ruas antes de aceitar ajuda.

Neve era uma lenda do quarteirão: uma gata branca de olhos desiguais que ninguém conseguia pegar. Ela sabia onde cada morador deixava comida e desaparecia antes de qualquer mão se aproximar.

Quando o frio de janeiro de 2026 apertou, a equipe montou uma casinha térmica no parapeito onde ela dormia. Neve desconfiou por uma semana. Depois entrou — e não saiu mais.

O resgate aconteceu devagar, na velocidade dela: primeiro a casinha, depois a comida mais perto, depois o colo.

Neve hoje mora com a voluntária que construiu a casinha. Continua sentada num parapeito, mas agora do lado quente do vidro.

Cão pequeno de pêlo duro apoiado de pé no peito de uma voluntária sorridente dentro de um abrigo de madeira
CãoChasiv Yar · 2025

Faísca, o alarme de quatro patas

Pequeno, barulhento e insubstituível: Faísca avisava os moradores do porão sempre que o perigo se aproximava — antes de qualquer sirene.

Num porão onde 20 pessoas se abrigavam, Faísca era o sistema de alarme. Minutos antes de cada bombardeio, o terrier ficava de pé, tenso, e começava a latir num tom específico.

Os moradores aprenderam a confiar nele. 'Faísca latiu' virou sinal de descer para o fundo do porão. Nunca errou.

Quando a evacuação finalmente chegou, a condição dos moradores foi unânime: 'A gente só vai se o Faísca for junto'. Ele foi, no colo de três pessoas diferentes, revezando.

Faísca vive com uma das famílias do porão. Dizem que até hoje ele anuncia a chuva antes de ela começar.

Gata tricolor deitada numa caixa forrada de cobertores amamentando três filhotes de cachorro órfãos
GatoVovchansk · 2025

Mili, a gata que virou mãe de cachorros

Quando três filhotes de cachorro ficaram órfãos, foi uma gata lactante quem os aceitou. A ciência estranhou; Mili, não.

Mili chegou ao abrigo com seus próprios filhotes, resgatada de um porão inundado. No mesmo dia, chegaram três filhotes de cachorro recém-nascidos, sem a mãe.

A veterinária tentou de tudo: mamadeira, seringa, aquecedor. Os filhotes choravam sem parar. Até que Mili se levantou, foi até a caixa deles — e deitou.

Ela amamentou gatos e cachorros juntos por seis semanas, dividindo o tempo entre as duas ninhadas com uma paciência que ninguém na equipe vai esquecer.

Os três cachorros cresceram fortes e foram adotados. Mili ficou no abrigo como matriarca honorária — e inspetora oficial de caixas.

Cão grande e idoso, preto de focinho branco, parado ao lado de uma cerca de fazenda ao amanhecer com o hálito visível no frio
CãoIzium · 2024

Duque, o último da fazenda

Quando a fazenda foi abandonada, todos os animais foram embora — menos Duque, velho demais para a viagem. Ele esperou. Alguém voltou por ele.

Duque era o cão de guarda de uma fazenda de gado. Quando a região esquentou, o dono levou os animais que pôde, mas Duque, com 13 anos e a pata traseira falhando, não aguentaria a viagem.

O dono deixou sacos de ração abertos e o celeiro destrancado — e o contato da Pata Amada com um vizinho. Duque ficou três semanas esperando junto à cerca, vigiando um pasto vazio.

O resgate foi simples: ele entrou na van sozinho, devagar, como quem já sabia. No abrigo, dormiu 18 horas seguidas no primeiro dia.

Duque viveu mais dois anos num sítio tranquilo com outro casal de idosos. O dono original visitou uma vez, de longe, e chorou ao vê-lo gordo e feliz.

Por que fazemos isso

Eles não escolheram a guerra. Nós escolhemos não abandoná-los.

Nenhum cachorro entende o que é um míssil. Nenhum gato sabe por que a janela onde tomava sol virou escombro. Eles não têm lado, não têm bandeira, não têm culpa de nada — só tinham uma casa, uma rotina e alguém que amavam.

Conflitos são decisões de humanos. Mas quem paga o preço mais silencioso são os animais: os que esperam no portão, os que se escondem no porão, os que continuam procurando a família dias depois do último barulho.

Cada vida que você viu nesta página existia antes do conflito — e merece existir depois dele. É por isso que a Pata Amada entra onde quase ninguém vai.

Quem faz o resgate

Somos um grupo de voluntários — e não caminhamos sozinhos.

A Pata Amada é feita por civis e militares brasileiros, junto com voluntários de outras nacionalidades. Não é uma instituição de escritório: entramos de carro, de madrugada, para buscar um pet ferido. Cada doação vira combustível, ração, cirurgia e um colo no caminho.

E o resgate não para na gente. No Brasil, ONGs parceiras e criadores nos ajudam como podem — com cuidado, lar temporário e divulgação de adoções — e também participam com a gente de atividades de apoio aqui. Ajudamos outras ONGs e protetores independentes — aquela pessoa que sozinha já alimenta, vermifuga e procura família para os pets que encontra — com veterinário, comida, transporte e voz para os anúncios de adoção "em boas mãos" que ela publica, para que cada pet chegue a mais gente.

Cada pata desta página é sustentada por várias mãos. Quando você doa, você entra nessa rede.

Gatinho listrado de olhos azuis, resgatado por protetora independenteGatinho de pelo longo olhando para a câmeraGatinho listrado deitado perto da janelaGatinho ruivo e branco deitado em uma manta azulGatinho preto deitado em um travesseiro verdeGatinha cinza e branca sentada olhando para a câmeraFilhote de cachorro preto e caramelo na mão de uma voluntáriaFilhote de cachorro deitado na palma da mão de uma protetoraCachorro adulto de orelhas em pé, sorrindo em passeio na coleira

Pets de protetores independentes que acompanhamos — alguns já encontraram família.

O que mantém o resgate vivo

Doação não é só cirurgia. É diesel na van, ração na tigela, suéter no inverno e brinquedo na hora de reaprender a confiar. Deixe sua patinha de amor no que tocar seu coração.

Van de resgate carregada de caixas de transporte com cães e gatos, ao amanhecer

Transporte que salva

A van percorre até 900 km por semana entre abrigos, clínicas e fronteiras. Cada viagem leva animais feridos até cirurgias que não existem na região deles.

R$ 480 por viagem longa
Voluntários enchendo tigelas de ração cercados por cães e gatos famintos

Barriga cheia todo dia

São mais de 180 kg de ração por semana, fora a dieta terapêutica dos idosos e recém-operados. Nenhum animal do abrigo pula uma refeição — nunca.

R$ 25 alimenta um animal por 3 dias
Cães resgatados usando suéteres de tricô coloridos doados, no pátio nevado do abrigo

Roupinhas contra o frio

No inverno de -20°C, filhotes e animais em recuperação perdem calor rápido. Suéteres, cobertores e caminhas térmicas viram parte do tratamento.

R$ 35 veste um filhote no inverno
Gatinhos e filhotes de cachorro brincando com bolinhas e cordas doadas

Brinquedos que curam

Animais que viveram o pior precisam reaprender a brincar. Brinquedos reduzem o estresse, aceleram a socialização e preparam cada um para a adoção.

R$ 15 enche uma caixa de brinquedos

Doe um pacote

Escolha um pacote e todo o valor é convertido em compras: comida, ossinhos, brinquedos e injeções entregues direto no abrigo.

Voluntários enchendo tigelas de ração cercados por cães e gatos famintos

Pacote de comida

Ração e dieta terapêutica para um animal resgatado. Cada real vira compra direta de alimento.

R$ 45
Cães resgatados mastigando ossinhos e petiscos sobre um cobertor no abrigo

Pacote de ossinhos

Ossinhos e petiscos que viram recompensa no tratamento e alegria no dia a dia do abrigo.

R$ 25
Gatinhos e filhotes de cachorro brincando com bolinhas e cordas doadas

Pacote de brinquedos

Bolinhas, cordas e pelúcias que ajudam os animais a reaprender a brincar e a confiar.

R$ 35
Veterinária vacinando uma gata resgatada em uma clínica parceira

Pacote de injeções

Vacinas e medicação injetável — a proteção que todo resgatado precisa ao chegar.

R$ 80

Vozes de quem cuida

Os veterinários que assinam cada alta

Veterinária sorridente de estetoscópio segurando um gato malhado na clínica
Dra. Kateryna

Veterinária-chefe · Clínica parceira

“Eu já operei animais com estilhaço, com queimadura, com fome de semanas. O que me move é que nenhum deles chega com raiva de ninguém. Eles chegam pedindo ajuda — e perdoando o mundo ao mesmo tempo.”
Veterinário de óculos e barba grisalha sorrindo discretamente na clínica rural
Dr. Andriy

Veterinário ortopedista · Local protegido

“Em 30 anos de profissão, aprendi que animal não entende fronteira nem sirene. Entende mão que afaga e mão que machuca. Nosso trabalho é garantir que a última mão que eles conheçam seja a que afaga.”
Veterinária jovem de cabelo curto segurando um filhote enrolado numa toalha
Dra. Mara

Resgate de campo · Equipe móvel Pata Amada

“Tem gente que pergunta por que arriscamos a van por um cachorro. Minha resposta é sempre a mesma: porque ele não escolheu estar lá. Nenhum deles escolheu. A escolha é toda nossa — e eu escolho ir.”

Para onde vai seu dinheiro

Medicamentos e cirurgias62%
Transporte e logística23%
Alimentação e abrigo15%

Faça parte do resgate

Doe qualquer valor pelo Pix — cada real vira comida, remédio e cuidado.

Cole a chave 6353891@vakinha.com.br no app do seu banco e doe o valor que quiser. No comprovante aparece Vakinha — a plataforma que guarda as doações da Pata Amada.

Pix cai na hora · 100% rastreado

Espalhe a pata amada

Conhece alguém que ama pets? Manda pra essa pessoa — cada história compartilhada pode virar um novo resgate.

Cartão da Pata Amada com foto de um gatinho resgatado e o site pataamada.com

Mensagem pronta

Oi! Quero te apresentar a Pata Amada 💛 um resgate de animais em zonas de conflito — eles não têm culpa da guerra. Entra no site e prepara o coração: as histórias de cada resgate emocionam demais. https://pataamada.com 🐾

Marcas parceiras

Quem caminha com a gente

Marcas do Brasil, da Ucrânia e do mundo que caminham ao lado do resgate — ração, cuidados veterinários e uma rede que atravessa fronteiras.

Logo da Royal Canin
Logo da UAnimals, ONG ucraniana de resgate animal
Logo da Petlove
Logo da FOUR PAWS, fundação global de bem-estar animal
Logo da Happy Paw, fundação ucraniana de ajuda a abrigos
Logo da Purina
Logo da Cobasi
Logo do IFAW, Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal